terça-feira, 27 de abril de 2010

Com a busca de abastecer o Mundo com álcool combustível, aumenta-se a Pobreza Rural e a destruição do Meio Ambiente no Brasil.

Como a indústria sucro-alcooleira segue se expandindo, e para tanto, mais terras são plantadas com a monocultura da cana-de-açúcar, problemas já existentes nas áreas rurais como o grande número de sem terras, fome, desemprego, destruição ambiental e conflitos agrários serão exacerbados. Uma articulação de ONGs de toda a América do Sul diz: “a implementação do modelo de produção e exportação de biocombustíveis representa uma grave ameaça sobre nossa região, e sobre os recursos naturais e a soberania de nossos povos".
O álcool brasileiro é produzido com a cana-de-açúcar, que sempre foi uma commodity agrícola para o país. Sendo a cana-de-açúcar a matéria prima para a produção do álcool, a indústria está diretamente relacionada às dinâmicas sociais e econômicas nas áreas rurais, onde sua produção se dá desde a época colonial, destacando-se como mais importante a exploração da mão-de-obra, a concentração da terra e a destruição ambiental. Segundo Marluce Melo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Recife, Pernambuco, "A pobreza rural sempre esteve intrinsecamente relacionada à economia da cana. Mesmo quando Pernambuco era o maior produtor nacional de cana (até a década de 70), os níveis de pobreza eram dos maiores do mundo".
"Hoje os problemas com a produção (de cana-de-açúcar) são muito similares aos problemas que a cana gerava centenas de anos atrás", diz Maisa Mendonça, Diretora da ONG Rede Social, que fica em São Paulo. Os trabalhadores nas plantações de cana de açúcar sofrem uma forma de trabalho das mais difíceis no mundo. Segundo Mendonça, o Brasil tem os custos mais baixos no mundo por causa da dependência na exploração de mão-de-obra, inclusive de escravidão numa escala massiva, e também sua recusa em implementar regras ambientais. Em São Paulo o custo médio de produção é de US$165 por tonelada; na Europa é de US$700 por tonelada. Em São Paulo o salário médio mensal para um trabalhador numa plantação de cana é de US$ 195; em Pernambuco é de US$167.
Calcula-se que 40.000 trabalhadores informais migrantes do Nordeste e Minas Gerais executam a colheita anual em São Paulo. Eles trabalham longas horas do dia expostos a temperatura extremamente quentes, cortando cana tão rápido quanto eles podem, uma vez que são pagos de acordo com o peso da cana que cortam.
Maria Aparecida de Moraes Silva, da Universidade Estatal de São Paulo, relata que a taxa exigida de produtividade para cortadores de cana está aumentando. Nos anos 80, a taxa comum de produtividade exigida de um cortador individual estava entre cinco e oito toneladas de corte de cana-de-açúcar por dia; hoje está entre 12 e 15 toneladas. De 2004 a 2006, a Pastoral dos Migrantes registrou 17 mortes por trabalho excessivo em São Paulo, e em 2005 a Delegacia Regional do Trabalho registrou 416 mortes de trabalhadores no setor sucro-alcooleiro.
Na medida em que mais terra é plantada com a monocultura da cana-de-açúcar, e o controle da indústria se torna mais concentrado, e a pobreza rural aumenta. De acordo com Melo, "a monocultura criou uma dependência principal na economia de cana-de-açúcar dentro a região [de Pernambuco], e impede a criação de outras formas de trabalho e renda. A monocultura de cana-de-açúcar também gera a concentração crescente de terras nas mãos dos engenhos de açúcar".
Indústria, governo e a mídia dominante no Brasil geralmente discutem as exportações crescentes de álcool impulsionarão o crescimento econômico e o desenvolvimento rural sustentável, enquanto simultaneamente restringirá o aquecimento global e ajudará o mundo a diminuir sua dependência em combustíveis fósseis.
Mas ao contrário do que muitos defendem na indústria, a monocultura de cana-de-açúcar provoca ampla destruição ambiental. De acordo com Melo, em Pernambuco só 2,5% da floresta original permanece na região de cana-de-açúcar. Para satisfazer a demanda global no futuro, o Brasil precisará desmatar uns 60 milhões de hectares adicionais de floresta, diz Eric Holt-Gimenez da ONG FoodFirst, em Oakland, Calif., EUA.



Fonte:
http://webs.chasque.net/~rapaluy1/transgenicos/Biocombustible/Alcool_Combustivel.html

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