terça-feira, 27 de abril de 2010

Exportação para EUA e União Européia

Fora das fronteiras brasileiras, também há grandes interessados na utilização do álcool como fonte combustível. Nos Estados Unidos, o presidente George W. Bush indicou que até 2025 seu país deve utilizar o etanol como uma parcela significativa dos combustíveis consumidos ali. Hoje, os carros norte-americanos consomem álcool em uma quantidade, em termos brutos, semelhante aos brasileiros. O problema é que, ao contrário daqui, lá há apenas 600 postos de combustível que fornecem álcool puro, entre os 180 mil existentes no país. Assim, o consumo maior se dá a partir da mistura de etanol à gasolina, em uma proporção média de 10% do primeiro e 90% do segundo. Também o álcool que eles produzem é extraído do milho, em um processo muito mais caro e menos produtivo do que o álcool de cana-de-açúcar.
A União Européia, segundo maior comprador do etanol brasileiro, em 2003 assumiu um forte compromisso em defesa do comprimento do protocolo de Kioto (Tratado para a diminuição da emissão dos gases que provocam o efeito estufa) e passou a compor a Diretiva de Biocombustíveis, cuja pretensão é impor o uso obrigatório de biocombustíveis antes de 2010. A partir de então, a mistura de 2% de etanol na gasolina comeou a ser exigida em 2005 nos países membros da UE.

O gráfico apresenta uma comparação entre o volume de etanol brasileiro exportado para os EUA e UE entre 1999 -2006.


Fonte: MDIC/ALICEWEB(2007)

Percebe-se que as exportações brasileiras de etanol para a União Européia apresentaram uma trajetória crescente notadamente a partir de 2001. Por sua vez, as exportações para os Estados Unidos aumentaram expressivamente em 2006, alcançando naquele ano quase 10 vezes o valor de 2004: saltou de US$78,8 milhões em 2004 para US$748,1 milhões em 2006.

Entretanto, os importadores americanos e eu ropeus impõe restrições a entrada do etanol nos mercados sob a alegação de que a produção brasileira é feita agredindo o meio ambiente.

Com a busca de abastecer o Mundo com álcool combustível, aumenta-se a Pobreza Rural e a destruição do Meio Ambiente no Brasil.

Como a indústria sucro-alcooleira segue se expandindo, e para tanto, mais terras são plantadas com a monocultura da cana-de-açúcar, problemas já existentes nas áreas rurais como o grande número de sem terras, fome, desemprego, destruição ambiental e conflitos agrários serão exacerbados. Uma articulação de ONGs de toda a América do Sul diz: “a implementação do modelo de produção e exportação de biocombustíveis representa uma grave ameaça sobre nossa região, e sobre os recursos naturais e a soberania de nossos povos".
O álcool brasileiro é produzido com a cana-de-açúcar, que sempre foi uma commodity agrícola para o país. Sendo a cana-de-açúcar a matéria prima para a produção do álcool, a indústria está diretamente relacionada às dinâmicas sociais e econômicas nas áreas rurais, onde sua produção se dá desde a época colonial, destacando-se como mais importante a exploração da mão-de-obra, a concentração da terra e a destruição ambiental. Segundo Marluce Melo, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Recife, Pernambuco, "A pobreza rural sempre esteve intrinsecamente relacionada à economia da cana. Mesmo quando Pernambuco era o maior produtor nacional de cana (até a década de 70), os níveis de pobreza eram dos maiores do mundo".
"Hoje os problemas com a produção (de cana-de-açúcar) são muito similares aos problemas que a cana gerava centenas de anos atrás", diz Maisa Mendonça, Diretora da ONG Rede Social, que fica em São Paulo. Os trabalhadores nas plantações de cana de açúcar sofrem uma forma de trabalho das mais difíceis no mundo. Segundo Mendonça, o Brasil tem os custos mais baixos no mundo por causa da dependência na exploração de mão-de-obra, inclusive de escravidão numa escala massiva, e também sua recusa em implementar regras ambientais. Em São Paulo o custo médio de produção é de US$165 por tonelada; na Europa é de US$700 por tonelada. Em São Paulo o salário médio mensal para um trabalhador numa plantação de cana é de US$ 195; em Pernambuco é de US$167.
Calcula-se que 40.000 trabalhadores informais migrantes do Nordeste e Minas Gerais executam a colheita anual em São Paulo. Eles trabalham longas horas do dia expostos a temperatura extremamente quentes, cortando cana tão rápido quanto eles podem, uma vez que são pagos de acordo com o peso da cana que cortam.
Maria Aparecida de Moraes Silva, da Universidade Estatal de São Paulo, relata que a taxa exigida de produtividade para cortadores de cana está aumentando. Nos anos 80, a taxa comum de produtividade exigida de um cortador individual estava entre cinco e oito toneladas de corte de cana-de-açúcar por dia; hoje está entre 12 e 15 toneladas. De 2004 a 2006, a Pastoral dos Migrantes registrou 17 mortes por trabalho excessivo em São Paulo, e em 2005 a Delegacia Regional do Trabalho registrou 416 mortes de trabalhadores no setor sucro-alcooleiro.
Na medida em que mais terra é plantada com a monocultura da cana-de-açúcar, e o controle da indústria se torna mais concentrado, e a pobreza rural aumenta. De acordo com Melo, "a monocultura criou uma dependência principal na economia de cana-de-açúcar dentro a região [de Pernambuco], e impede a criação de outras formas de trabalho e renda. A monocultura de cana-de-açúcar também gera a concentração crescente de terras nas mãos dos engenhos de açúcar".
Indústria, governo e a mídia dominante no Brasil geralmente discutem as exportações crescentes de álcool impulsionarão o crescimento econômico e o desenvolvimento rural sustentável, enquanto simultaneamente restringirá o aquecimento global e ajudará o mundo a diminuir sua dependência em combustíveis fósseis.
Mas ao contrário do que muitos defendem na indústria, a monocultura de cana-de-açúcar provoca ampla destruição ambiental. De acordo com Melo, em Pernambuco só 2,5% da floresta original permanece na região de cana-de-açúcar. Para satisfazer a demanda global no futuro, o Brasil precisará desmatar uns 60 milhões de hectares adicionais de floresta, diz Eric Holt-Gimenez da ONG FoodFirst, em Oakland, Calif., EUA.



Fonte:
http://webs.chasque.net/~rapaluy1/transgenicos/Biocombustible/Alcool_Combustivel.html

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Petrobras inicia exportação de álcool combustível para a Nigéria

A Petrobras exportará 20 milhões de litros de álcool combustível para a Nigéria nas próximas semanas. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30) pela empresa brasileira e faz parte de um contrato de fornecimento de álcool com a Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC), companhia estatal nigeriana de petróleo.
O fornecimento do combustível para a Nigéria faz parte de um processo iniciado com a assinatura de um memorando de entendimento entre a Petrobras e a NNPC em agosto de 2005, visando a implementação do programa de adição do álcool à gasolina comercializada na Nigéria.
Segundo o comunicado da Petrobras, a proposta da empresa foi aprovada pela Presidência da República da Nigéria, e inclui a venda do produto com o apoio técnico da Petrobras para a mistura e manuseio do álcool, assim como o treinamento de funcionários da NNPC para a implantação do programa de adição de 10% de álcool na gasolina nigeriana.
A primeira carga de 20 milhões de litros será embarcada no Terminal da Ilha D'Água, no Rio de Janeiro, e descarregada em Lagos. Outros fornecimentos ocorrerão de acordo com o programa de implementação do programa de álcool em toda a gasolina nigeriana.
Ainda segundo a estatal brasileira, neste momento, não estão previstos investimentos da Petrobras na construção de usinas de produção de álcool na Nigéria, ou mesmo de instalações para armazenamento, manuseio e mistura do biocombustível à gasolina naquele país.

Introdução

Este site tratará das questões sobre a exportação do alcool combustivel no Brasil.

Aqui incluiremos reportagens , curiosidades, fotos e balanços sobre o tema.

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